A chamada Rusga foi um movimento de revolta que ocorreu no contexto do Período Regencial brasileiro, na então Província de Mato Grosso, atuais Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Constitui-se num reflexo da então crescente rivalidade entre portugueses e brasileiros, o que na verdade ocorreu em Cuiabá.
Antecedentes
Diante da crise que culminou
com a abdicação de D. Pedro I e
o seu retorno para a Europa onde desempenhou papel
decisivo na Guerra Civil Brasileira(1829-1938),
em diversas localidades do Brasil acirraram-se os ânimos entre os partidários
adeptos do retorno do Imperador ao Brasil e, até mesmo, da união a Portugal, em
contrapartida aos naturais do Brasil, partidários da manutenção da autonomia,
que foi importante ao Brasil.
Com tal acontecimento, várias revoltas e rebeliões acontecera, No Mato Grosso, o fenômeno também se fez sentir, e as tensões cresciam entre a população. Em Cuiabá, como em outras localidades, o comércio era dominado por portugueses, que fixavam arbitrariamente os preços das mercadorias; a situação era similar em Miranda (hoje no Mato Grosso do Sul) e em outras vilas e cidades da província
Em agosto de 1833 foi fundada pelo
cirurgião Antônio
Luís Patrício da Silva Manso, o "Tigre de Cuiabá",
a "Sociedade
dos Zelosos da Independência", associação que presidiu
e que deu causa, no ano seguinte, à revolta.Em 28
de maio de 1834 assumiu interinamente o
governo o coronel João Poupino Caldas,
tido por nacionalista e que gozava da simpatia dos locais.
O conflito
Diante da escalada das tensões,
o estopim do conflito foi o surgimento e propagação de um boato, segundo o qual os brasileiros
seriam eliminados. Na noite do dia 30 de maio a revolta eclodiu: Bento Franco de Camargo, à frente da Guarda Nacional capturou
o quartel dos Municipais Permanentes, enquanto nas ruas um toque de clarim convocava o povo às
ruas. Com a generalização dos tumultos, registraram-se saques e depredações nas
lojas, uma vez que a alta dos preços colocara a população muitas vezes em
estado de necessidade.
Durante a revolta, foram feitas
buscas nas casas por escoltas, e escravos denunciaram os seus senhores, na
busca por portugueses escondidos, numa verdadeira caçada humana. Nos tumultos,
pessoas de ambos os lados foram mortas ou feridas. Os motins repetiram-se em
outros lugares da província como em Diamantino (junho e agosto) e em Miranda (setembro).
Reação
Alencastro efetuou uma feroz repressão. Os líderes do movimento foram
detidos e condenados em 24 de junho de 1835:
·
à morte por enforcamento: Manuel Ciríaco, José Ferreira da Silva, Vitorino Gomes e Francisco
Pereira do Nascimento;
·
às Galés perpétuas: Joaquim Leite Pereira,
Antônio da Silva Pamplona e Joaquim José de Santana;
·
a prisão de 4 anos com multa, pelos
saques: Antônio Euzébio e Geraldo Justino;
·
a prisão: o juiz Pascoal Domingos de
Miranda, o promotor José Jacinto de Carvalho, o professor de Lógica Brás Pereira
Mendes, Bento Franco de Camargo, Manuel do Nascimento Moreira e Silva Manso,
que fundara a "Sociedade dos Zelosos" (Manso viria a ser
assassinado em 1848, em Campinas).

Grupo: Gustavo Ponce e Iago Pereira
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